LABORATÓRIO DAS ARTES DO CORPO

Encontro imersivo com duração de dois dias no Centro de vivências da Pousada Monte Crista, em Garuva (SC). Participação de vinte profissionais entre atores, dançarinos, artistas circenses, preparadores corporais, dramaturgistas, cantores, músicos, performers e interessados, com o objetivo de desenvolver um programa de convivência e investigação artística tomando o corpo como principal elemento de criação. A ideia é a de compartilhamento e troca, portanto, cada participante propõe algo (exercício, texto, imagem, etc.) para discussão/exploração/vivência conjunta. A intenção é a de estabelecer um ambiente educativo favorável à experimentação e troca de saberes.

Primeira edição: 5 e 6 de novembro de 2011.

Segunda edição: 1 e 2 de setembro de 2012.

Terceira edição: 21 e 22 de junho de 2014.

Concepção e coordenação: Jussara Xavier

Produção: Erika Rosendo

Apoio: Edital de incentivo à cultura da Fundação Cultural de Joinville.

 

Edições

Fotos Edição 2014

Edição 5 - Florianópolis, 2026

 

Em sua quinta edição, a proposta cultural foi selecionada pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2025, realizado com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC). 

 

Duas pesquisas em dança foram desenvolvidas:

1) Persistência: estudos para corpos compostáveis

Criação e dança: Cariú BM

Participação especial: Ana Otero

Investigação em dança sobre aquilo que permanece após o fim de um processo. Partindo da pergunta “qual é o resíduo que resta ao final de uma elaboração?”, o trabalho propõe uma arqueologia de si através do movimento, da escrita e da observação cotidiana.

Entre vestígios, falhas, repetições e retornos, a criação percorre os rastros deixados por experiências já vivenciadas, desejos abandonados e sentidos que insistem em reaparecer. O corpo torna-se campo de escavação: coleta fósseis de gestos, reativa movimentos esquecidos e dança aquilo que sobrevive ao êxtase, à ressaca, à conclusão e ao esquecimento.

Ao longo da pesquisa, resíduos corporais e materiais são recolocados em circulação, produzindo composições marcadas pela espiral, pelo acúmulo e pelos ciclos que nunca se encerram completamente.

Mais do que apresentar uma obra acabada, Persistência: estudos para corpos compostáveis expõe um processo contínuo de transformação. Um exercício de escuta das sobras, das falhas e das permanências. Uma dança para tudo aquilo que ficou para trás antes mesmo de repousar — e que, apesar disso, continua encontrando um retorno.

 

 

2) O castelo de M. Cecília

Criação e dança: Maria Schwatz

Onde termina o corpo e começa o mundo? Como incorporar os resíduos da catástrofe ambiental na nossa existência? É possível fazê-los de apoio para o nosso próprio peso? Nos embolar com o que pensávamos que havíamos jogado “fora” para entender nossos novos limites de movimento? Como inventar uma dança com o que sobrou?

O Castelo de M. Cecília é um solo de dança que pesquisa os modos de mover e de se comportar de diferentes moluscos, investigando também suas relações com as intervenções humanas nos ambientes costeiros. Na busca por outras corporeidades, a pesquisa experimenta no corpo princípios observados em moluscos, como pontos de apoio, deslocamentos, isolamentos, volume, contração e fluidez. Ao mesmo tempo, objetos e resíduos sólidos encontrados nas regiões costeiras de Itajaí e Florianópolis são incorporados à composição como elementos que interferem diretamente na ação do corpo. Assim como o molusco, que ao encontrar um objeto lançado no mar adapta seu corpo às novas condições, contornando, aderindo, apoiando-se ou reorganizando seu modo de mover, o corpo em cena se modifica no encontro com as coisas. Pode uma dança aprender com os moluscos a inventar no próprio corpo novas formas de habitar um mundo alterado pelos resíduos?

 

 

FICHA TÉCNICA

Projeto e coordenação: Jussara Xavier

Mentoria artística: Adriana Barreto e Jussara Xavier

Artistas pesquisadoras/res - bolsistas: Cariú BM e Maria Schwatz

Participação especial: Ana Otero

Produção: Monica Siedler

Design gráfico: Adriana Barreto

Produção de conteúdo e Assessoria de imprensa: Néri Pedroso

Tradução e Interpretação em Libras: Joanna Bruna Tiepo

Fotografia: Ana Xavier

Classificação Indicativa: Livre para todos os públicos